terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Textos autobiográficos

Narciso (1594-1596), por Caravaggio
Afinal o que faz correr a pena autobiográfica? Por outras palavras, o que justifica a vaga intimista dos nossos dias - que prolonga, dilatando-a, uma tradição confessional vinda de longe?   
A época contemporânea trouxe transformações sociais de vária ordem, que tornaram ainda mais premente a necessidade de cada um afirmar a sua presença irrepetível no mundo.
Há algum tempo, num programa de rádio, um jovem entrevistado respondia à pergunta: "Porque escreve?" da seguinte forma: "Para dizer: aqui estou eu." 
O homem dos nossos dias é, paradoxalmente, um cidadão enquadrado numa sociedade que aperfeiçoou mecanismos para o proteger (segurança social, assistência, etc.) e um ser "desamparado", a quem faltam (...) "lugar, grupo, deus ou tribo com quem se identificar e através dos quais se realizar". 
A escrita do eu pode assim ser encarada como uma forma de salvação individual num mundo que começa a descrer de sucessivos modelos ideológicos de salvação coletiva. E para muitos a vivência da intimidade é uma garantia de autenticidade num tempo em que a vida pública se tornou numa espécie de "teatro do mundo".
Clara Rocha, Máscaras de Narciso, Almedina

sábado, 21 de dezembro de 2013

Tertúlia "Mobilidades"

 
Este vídeo foi elaborado para a atividade denominada Tertúlia: Mobilidades, desenvolvida pelos formandos de CLC / Inglês, no auditório da escola Alves Martins.
 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Agora também estamos no facebook:


   Elegemos a pintura de Arcimboldo como cartão de visita. Este artista  viveu entre 1527 a 1593, foi mestre em composições com alimentos.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

CLC: UC6 – DR3


Núcleo gerador 6: Urbanismo e Mobilidade

Domínio de Referência: DR3 – contexto institucional

Tema – Administração, Segurança e Território

Competência: Identificar sistemas de administração territorial e respetivos funcionamentos integrados.   
"A identidade de um país evidencia-se pela coesão expressa por uma variedade de serviços, de bens acessíveis a todos, maioritariamente tutelados pelo Estado. Esses serviços permitem a todos, em qualquer ponto do país, usufruir da segurança de pessoas e bens, de vias de comunicação e de transporte, de produtos culturais como exposições, cinemas, museus. Grande parte destes serviços está sobre o domínio do Estado, tutelados, por exemplo, pelo Ministério da Cultura ou pelo Ministério da Administração Interna..., presenteando, cada um, programas específicos, de acordo com as suas competências; no caso do MC, uma agenda cultural e no caso do MAI, um programa de prevenção rodoviária."

                                                                                                                                                                                                     Texto(adaptado) disponível em: http://regressofuturo.blogspot.pt/2010/06/as-nossas-vias-rodoviarias-cada-vez.html Acesso em: 17/9/2013

Alguns trabalhos desenvolvidos neste âmbito:

Luz

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

16 de outubro: Dia Mundia da Alimentação

  Sendo hoje o dia mundial da Alimentação, deixo aqui um poema de Fernando Pessoa. Espero que esteja ao vosso gosto...  BOM APETITE!


Dobrada à Moda do Porto



Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo ...

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa*

*Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935):
 mais conhecido como Fernando Pessoa,
foi um poeta, filósofo e escritor português.